terça-feira, 13 de setembro de 2016

da fatia amarela do osso que queima


minha irmã alma nunca se desgruda 
de tua irmã alma,
mesmo que eu não seja mais gente, 
nada que signifique nada,
tenho na matemática e não tenho na matemática
as ferramentas para poder ser lembrado e esquecido
achava que sabia o que queria, passei anos assim,
acreditei ou acredito ser uma espécie de bob dylan,
mas nada sou mesmo, as ruas sabem disso
e não sabem...continuo...continuarei...
a derrota não cabe nos meus tendões,
no meu peito
em todos os países
possuo mãos, afetos, intenções,
vontades de viver e morrer
( estou falando a verdade? )
a que altura da vida um homem
deve ou não deve sumir,
desaparecer para sempre?
mas como não me curvo ao mercado, 
ao marcado,
desdigo quase tudo que escrevi acima,
e voltarei para as ruas ( nunca às abandonei ),
assim o foi com zaratustra,
as vozes mais intimas de josé régio
voltam a gritar em meus tímpanos,
se tenho os pés estraçalhados
pelos dentes do chão,
os tenho por opção;
depois de passar pela grande noite da alma,
ou estar saindo dela,
me resta prosseguir rasgando-me
rasante pelas brisas e tormentas,
pelos planaltos em chamas
reverter em saúde a doença
da escravidão
que herdei dos antepassados
a grande águia, o magnífico condor,
a rã do meu sono balsâmico,
são estruturas da pirâmide
do que posso e não posso,
da luz das esgrimas,
da fatia amarela do osso que queima

( edu planchêz )

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